As informações desta matéria foram retiradas do livro “A guerra: A ascensão do PCC e o mundo do crime no Brasil” de Bruno Manso e Camila Dias. Livro de jornalismo literário e investigativo.

Desde a criação do PCC, nunca houve uma estratégia clara por parte dos governos paulistas para lidar com o grupo”

O crime organizado está emaranhado por toda a América do Sul, é possível encontrar homens e facções que por conta de seus atos ilegais se tornaram conhecidos em toda a região, como o Comando Vermelho (CV), Primeiro Comando da Capital (PCC), ou o Pablo Escobar que supostamente foi o homem mais rico do mundo graças ao tráfico de drogas, se tornando um dos homens mais procurados pelos EUA e ganhou destaque na primeira temporada da série NARCOS da Netflix. Mas, no Brasil quem dominava o tráfico de drogas, era Fernandinho Beira-Mar chefe máximo do CV, situado no Rio de Janeiro, que se espalhou no Brasil, se aliando a facções menores. Junto ao domínio do CV, havia o PCC, considerada atualmente a maior, mais organizada e forte organização criminosa brasileira.

Ambas as facções coexistiam com um pacto de não agressão, mas em dezembro de 2016, por conta de desentendimentos sobre as formas de agir entre as facções e alguns conflitos, esse “respeito” acabou. Em 1º de janeiro de 2017, 160 presos do CV e PCC foram assassinados em rebeliões nos presídios espalhados pelo país.

O estímulo final para os confrontos foram os “Salves” do PCC, uma espécie de comunicado interno dos membros da facção repassados pelo WhatsApp. Os confrontos se intensificaram, com diversas facções menores se aliando ao CV para tentar sobreviver ao PCC que se espalhava pelo país ao recrutar presos de diversos presídios diferentes, onde garantiam uma certa liberdade e igualdade entre os membros. Outras pequenas facções seguiram o caminho contrário e se aliaram ao PCC.

Imagem ilustrativa

Com o passar do tempo o PCC se expandiu além das fronteiras, o primeiro país alvo foi o Paraguai, o domínio se iniciou na fronteira da cidade de Ponta Porã, onde facções e chefes paraguaios foram assassinados e substituídos, o objetivo era acabar com os intermediários e controlar diretamente o fluxo, distribuição das drogas e armas, muitas usadas apenas pelas forças especiais do exército, assim o PCC paga um valor menor pelos produtos e aumenta os lucros.

O PCC trazia um discurso inovador. Os paulistas diziam que seus crimes eram praticados em nome dos “oprimidos pelo sistema” e não em defesa dos próprios interesses, o que os diferenciava do personalismo dos traficantes cariocas. Eles assumiam a existência de um mundo do crime e da ilegalidade, tanto nas prisões como nas periferias, conhecidas como “quebradas”. Com o PCC, o crime passaria a se organizar em torno de uma ideologia: os ganhos da organização beneficiariam os criminosos em geral. De acordo com essa nova filosofia, em vez de se autodestruírem, os criminosos deveriam encontrar formas de se organizar para sobreviver ao sistema e aumentar o lucro. “O crime fortalece o crime” é uma das máximas do PCC. Os inimigos eram os policiais e os “bandidos sangue ruim”, aqueles que não aceitam as regras impostas pelo Partido do Crime. – Citação do livro “A guerra: A ascensão do PCC e o mundo do crime no Brasil”, pág 9.

Essa necessidade de expansão para o Paraguai levou a conflitos com as autoridades brasileiras que vinham reescrevendo a luta contra o tráfico desde 2009. Homens da ROTA deflagraram uma operação contra membros do PCC que faziam uma reunião para decidir e planejar a tomada do Paraguai, houve tiroteio, cinco integrantes da facção foram presos e 3 acabaram por morrer, dentro os mortos estava Teia, homem de confiança dos líderes máximos do PCC, e bastante experiente para enfrentar e organizar os problemas ocasionados pelos paraguaios, sua morte prejudicou e atrasou os planos do PCC para o Paraguai, além disso os policiais tiveram acesso a documentos e estratégias da facção.

A cúpula do PCC decidiu retaliar o Estado, ordenando a morte de diversos policiais no Brasil “para cada ‘irmão’ morto, dois policiais deveriam ser assassinados”, uma reedição da “guerra” que ocorreu em 2016 em São Paulo, houve resposta da polícia, e no meio disso estava a população, apavorada e tendo que voltar para casa antes do toque de recolher. Algo comparável as zonas de guerra como as da Palestina e Iraque.

Ainda segundo o livro, A falta de estratégia e união política facilitou a ascensão do PCC e ocasionou que visões diferentes entre corporações policiais, promotores, agentes penitenciários, juízes fossem toleradas pelos políticos que preferiam não se envolver na questão da segurança pública por ser um assunto impopular quanto a opinião pública.

Sendo assim, a disputa entre Polícia Civil e Militar, a falta de diálogo com o Sistema Penitenciário, num verdadeiro “cada um por si”, permitiram que as facções criminosas crescessem e se espalhassem pelo país em menos de 20 anos. Um grupo formado por 8 presos criou o PCC em 1993, em Taubaté, alguns meses após a criação da pasta da Primeira Secretaria de Administração Penitenciária do Brasil.

Atualmente o PCC tem presença em todos os estados do Brasil, atuando principalmente em São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul, exerce média influência na Bahia, de acordo com dados do Ministério da Justiça / INFOPEN (2006).

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