Em setembro/2018 começou uma nova temporada reprodutiva das tartarugas marinhas monitorada pelo Projeto TAMAR, no Brasil. A assessoria do TAMAR informou ao Ler Agora que as equipes de pesquisadores já estão nas praias para proteger os locais onde as fêmeas fazem seus ninhos, garantir que os filhotes possam nascer em segurança e coletar dados para a conservação desses animais.

Número esperado de nascimentos:

O litoral dos estados de Sergipe, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte, e das ilhas oceânicas de Fernando de Noronha-PE e Trindade-ES, devem gerar mais de 2 milhões de novas tartaruguinhas protegidas pelo TAMAR, mas não há como precisar o número exato.

Beatriz Ribas, assessora do TAMAR, explicou ao Ler Agora como é feita a estimativa de nascimentos das tartarugas, “Se dá através de estacas numeradas nas praias, monitoradas todos os dias pelos tartarugueiros e pesquisadores, desde 1980. Nos dois primeiros anos, eles fizeram um levantamento das áreas prioritárias de desova e quais as espécies. Depois, continuaram contando a cada temporada, e somando com as mais de 5 mil tartarugas marinhas reabilitadas que também são devolvidas ao mar em todos os estados”, completou.

O TAMAR também promove atividades de sensibilização e educação ambiental, ocorrem nos centros de visitantes do Projeto e nas colônias, associações de pescadores, em condomínios, e outros locais próximos às praias de desova.

O projeto existe a aproximadamente 40 anos, nos quais faz esforços de preservação em 1.100 quilômetros do nosso litoral e ilhas oceânicas. Na temporada de reprodução encerrada em março de 2018, foram protegidos 30 mil ninhos de tartarugas marinhas e 2 milhões de filhotes devolvidos ao mar.

Os trabalhos de preservação possibilitaram que 37 milhões de tartarugas fossem “devolvidas” ao mar.

Número de filhotes – Gráfico fornecido pelo TAMAR

Avanços científicos e riscos:

A produção científica dos últimos anos, utilizando técnicas de telemetria para rastrear os animais marinhos, busca respostas sobre o impacto das mudanças climáticas e continua com o monitoramento e as coletas para alimentar um sistema de informações com mais de 35 anos de dados sistematizados e padronizados. Já são mais de 640 publicações científicas sobre conservação de tartarugas marinhas, diversos convênios e parcerias científicas com universidades no Brasil e em outros países.

O momento também é de alerta sobre a mortalidade de tartarugas pela captura acidental na pesca, considerada a maior das ameaças às populações das cinco espécies que existem no país. Redes de pesca, anzóis, degradação de áreas de desova, luzes artificiais e a poluição dos oceanos, além das mudanças climáticas, são os principais inimigos das tartarugas e podem interromper a chance de recuperação das cinco espécies que ocorrem no Brasil.

Este slideshow necessita de JavaScript.

No verão, quando as tartarugas estão em plena reprodução, aumenta a quantidade de pessoas nas praias e junto ao crescimento de áreas urbanas e da implantação de empreendimentos turísticos no litoral causam impactos às condições naturais das áreas de desova ou de alimentação de tartarugas marinhas.

Como surgiu e a importância do TAMAR:

O Projeto TAMAR começou em 1980 a proteger as tartarugas marinhas no Brasil. Com o apoio da Petrobras, patrocinadora oficial do projeto, por meio do Programa Petrobras Socioambiental. A Fundação Pró-TAMAR é a principal executora das ações do PAN – Plano Nacional de Ação para a Conservação das Tartarugas Marinhas no Brasil do ICMBio/MMA.

O TAMAR trabalha na pesquisa, proteção e manejo das cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no país, todas ameaçadas de extinção: tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta), tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata), tartaruga-verde (Chelonia mydas), tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea) e tartaruga- de-couro (Dermochelys coriacea).

Para entender melhor o projeto, o Ler Agora elaborou algumas perguntas respondidas pela assessoria de imprensa do TAMAR:

Repórter: Há alguma ação social em andamento?

Sim, contínuas, com as crianças e jovens, como a Escolinha do Tamar em Arembepe-Camaçari-BA, ou o Programa Tamarzinhos na Praia do Forte- Mata de São João-BA ou o Programa Nosso Papel de Futuro em Ubatuba-SP. Aqui, tem mais informações sobre cada um: http://tamar.org.br/interna.php?cod=372

Tem também as confecções do Tamar que ficam em Pirambu-SE e e em Regência-ES, que existem desde o início dos anos 90 e são opções de trabalho e renda para as famílias de pescadores, além do trabalho artesanal de mulheres e filhas das comunidades locais, que são lindas peças feitas a mão e vendidas nas lojas do Tamar. A renda é 100% revertida para elas e provê um complemento para o sustento das pessoas.

Repórter: Qual a influência do Projeto Tamar para a região?

A tartaruga marinha passou a ser uma inspiração para a vila de pescadores da Praia do Forte-BA, dentre outros locais onde o Tamar está presente no Brasil, e o trabalho de conservação e pesquisa, que sempre inclui os moradores locais, envolve muitas pessoas, gera renda e oportunidades de capacitação e profissionalização.

Repórter: A atração de turistas e visitantes pode atrapalhar a conservação?

A conservação inclui o ser humano e o convívio com a natureza pode ser harmônico. As tartarugas marinhas escolheram antes de estarmos aqui, para desovar, os mesmos lugares que as pessoas gostam de estar nas férias e momentos de lazer. A convivência é possível, desde que a natureza seja respeitada. As ameaças à sobrevivência das tartarugas marinhas depende de ações dos seres humanos para diminuir o impacto no ciclo de vida das 5 espécies que desovam no Brasil.

Repórter: Há projetos com escolas públicas ou particulares em andamento?

Sim, o Tamar sempre vai a escolas públicas, orienta professores, participa de eventos com parceiros, realiza o Tamar na Escola, com palestras e mostras sobre a conservação das tartarugas marinhas nas escolas dos locais onde está presente para proteger e estudar as tartarugas marinhas. Em 2018, mais de 1.500 escolas e 5.500 professores visitaram ao TAMAR com seus 100.000 estudantes que aprenderam mais sobre a conservação das tartarugas marinhas.

Repórter: Desde a fundação do Tamar, a nível nacional, quais os resultados obtidos?

-As 5 espécies de tartarugas marinhas que existem no Brasil estão se recuperando.

– Presença contínua em 26 localidades de 9 estados brasileiros.

– Cerca de 30.000 ninhos protegidos a cada ano.

– Mais de 37.000.000 de tartaruguinhas devolvidas ao mar em 39 anos.

– 36 anos de coleta sistemática de dados padronizados.

– 1.800 oportunidades de trabalho criadas.

– 1.000.000 de pessoas por ano nos Centros de Visitantes.

– 50 a 60% dos recursos gerados através de atividades sustentáveis.

Repórter: Por conta do Tamar houve um aumento na conscientização da população, ou ainda há muito por avançar em relação a necessidade de conservação ambiental?

Graças ao trabalho de sensibilização, educação ambiental e de inclusão social, hoje, 99% dos ninhos permanecem onde a tartaruga escolheu. Mas as tartarugas ainda enfrentam muitas ameaças na praia e no mar, como redes de pesca, anzóis, degradação de áreas de desova, luzes artificiais e a poluição dos oceanos, além das mudanças climáticas. Esses são os principais inimigos das tartarugas e podem interromper a chance de recuperação das cinco espécies que ocorrem no Brasil.

Repórter: Há voluntários e como se voluntariar ou estagiar?

Há voluntários, e as instruções e contatos por estado estão aqui: http://www.tamar.org.br/interna.php?cod=207

Repórter: Ah muitos visitantes e de onde são? o valor dos ingressos ajuda a custear o projeto?

Sim, o Tamar já recebeu até hoje mais de 20 milhões de visitantes onde está no Brasil. Os centros de visitantes e lojas fazem parte do programa de conservação das tartarugas e ajudam a promover autossustentação do Projeto e das comunidades que apoiam o trabalho de pesquisa e proteção.

Repórter: As ações de conservação são suficientes? Por qual razão? Se não, o que pode ser feito ou está sendo feito para mudar esse quadro?

O mundo está em constante transformação, e as ameaças vão mudando junto. Nas primeiras décadas de trabalho, a ameaça era a caça e a coleta dos ovos, hoje em dia as maiores ameaças são a pesca e a poluição, sendo a pesca a pior delas. Existem estudos e pesquisas em andamento que vão mudando algumas práticas, como o anzol circular, por exemplo, com mais de 15 anos de pesquisa, influenciou uma portaria de obrigatoriedade de substituição dos anzóis comuns pelo anzol circular e outros petrechos de pesca.

Repórter: Quais as diferenças do Tamar de hoje para o Tamar de 10 anos atrás, o que mudou, e o que pode mudar?

Há dez anos, começavam as comemorações pelos 30 anos do Projeto Tamar, o que foi celebrado em todos os lugares onde o Tamar está, na Praia do Forte-BA foi com show de Lenine. Comemorávamos 15 milhões de tartarugas devolvidas ao mar. Hoje tem mais tartarugas no mar mais vida e mais ameaças também. A pesca com redes e anzóis é a que mais ameaça a sobrevivência das tartarugas marinhas, assim como o aumento da poluição, o trânsito de veículos nas praias de desova e a iluminação artificial nas casas, as mudanças climáticas. Mesmo o Tamar tendo alcançado tantos resultados positivos, a causa ainda precisa continuar, com mais aliados que possam continuar protegendo as tartarugas e os oceanos, mais conhecimento sendo gerado para a conservação.

Na 30ª temporada de reprodução, em 2009/2010, o Tamar atingiu a marca de aproximadamente 10 milhões de filhotes nascidos sob sua proteção, desde a fundação, em 1980. Também vem registrando a diminuição contínua do número de desovas transferidas. Mais de 70% dos ninhos permaneciam in situ (mantidos nos locais originais de postura), sem manipulação dos ovos, em 2009. Eram transferidas apenas as desovas localizadas em praias de difícil monitoramento, em zonas urbanas ou com altas taxas de predação e erosão de praia. Agora em 2019, quase 99% dos ninhos permanece in situ, graças ao trabalho de pesquisa e conservação, sensibilização, educação ambiental e de inclusão social realizado pelo Tamar nas localidades onde está.

O TAMAR fica localizado na Praia do Forte – BA. Para maiores informações, ligue: 71 3676-1045 / 0321

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s