O Museu Udo Knoff de Azulejaria e Cerâmica (Pelourinho) dispõe de dois ambientes ocupados por materiais referentes à arte da cerâmica e do azulejo. A área inferior expõe as peças criadas pelo ceramista Udo Knoff – idealizador do museu -, além de proporcionar uma visão cronológica da existência do azulejo disposta do século XV ao XX, incluindo sua chegada ao Brasil, no século XVII. 

Devido ao sucesso de visitação, foi prorrogada até 12/02 a mostra ‘Coroa de Ouro: Torços e Turbantes’ no Museu Udo Knoff de Azulejaria e Cerâmica (Pelourinho). De autoria da cabeleireira, esteticista afro e hair designer Negra Jhô, a exposição foi aberta em 20/11 e fez parte das atividades em comemoração ao Novembro Negro.

A expografia é uma parceria com a Diretoria de Museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (DIMUS/IPAC) e conta com 21 turbantes estilizados e confeccionados pelo Instituto Kimundo. A exposição pode ser conferida de terça a sexta-feira das 10h às 17h e sábado das 13h às 17h.

 “O turbante faz parte da nossa cultura. Não existiria Ilê Ayiê, Filhos de Ghandi e diversos outros blocos afros sem esse adereço. O turbante também representa nossa autoestima e a valorização da ancestralidade”, afirma a artesã Negra Jhô.

Filha de Ogun com Iansã, a estilista é conhecida por seus projetos que visam promover a autoestima e o orgulho pela identidade negra por onde passa. Além da exposição, também serão realizadas mediações e oficinas de turbantaria e estamparia afro promovidas pela própria Negra Jhô e pelo setor educativo do museu. No encerramento da exposição, o público poderá apreciar 21 modelos num desfile que mostrará os torços e turbantes da mostra, além de indumentárias produzidas por estilistas e grifes afro-baianas.

Sobre o Museu

Primeiro do gênero no Brasil, o museu atua nas áreas de azulejaria e cerâmica. Foi fundado em 1994 para preservar e expor o rico acervo organizado pelo ceramista alemão Horst Udo Knoff (1912-1994). Além das obras de autoria de Udo, reúne azulejos portugueses, espanhóis, franceses, ingleses, holandeses e italianos, datados dos séculos XVI ao XX, e criações de representativos artistas locais como Jenner Augusto, Genaro de Carvalho, Sante Scaldaferri, Calasans Neto e Carybé.

O imóvel no qual funciona o museu desde 2003, é uma construção do século XVIII. A partir de 2009, o espaço ganhou nova proposta expográfica. No andar térreo, a exposição “Azulejaria na Bahia” reúne materiais referentes á arte da cerâmica e do azulejo, além de proporcionar uma visão cronológica da existência do azulejo disposta do século XV ao XX, incluindo sua chegada ao Brasil, no século XVII. No primeiro andar fica a mostra “Arte e Azulejaria” que exibefotografias de prédios revestidos com azulejos confeccionados pela oficina de Udo Knoff, fruto de projetos de artistas renomados do estado da Bahia. 

O Museu Udo Knoff de azulejaria e cerâmica é o resultado da coleção particular do ceramista Udo Knoff, natural da Alemanha, radicado na cidade do Salvador, Bahia, desde o ano de 1952. Contendo peças de autoria do ceramista, além de azulejos dos séculos XVII ao XX de origem portuguesa, inglesa, francesa, holandesa, mexicana e belga, telhas vitrificadas, pratos, jarros e reproduções de azulejos antigos, o acervo do museu foi recolhido em grande parte de casas em processo de demolição no estado da Bahia. 

No ano de 1994, o Banco do Estado da Bahia (BANEB) adquiriu parte da coleção e inaugurou o Museu BANEB de Azulejaria e Cerâmica Udo Knoff.  Após cinco anos, a Instituição passou por processo de privatização e esse acervo foi doado ao Instituto do Patrimônio Artístico Cultural da Bahia (IPAC). Em 2003 o museu foi reaberto com novo nome: Museu Udo Knoff de Azulejaria e Cerâmica.

 

Udo Knoff

Horst Udo Enrich Knoff, nascido na Alemanha, na cidade de Halle, em 20 de maio de 1912, falecido a 7 de junho de 1994, na cidade de Salvador, Bahia, filho único de casal de fazendeiros – Erich Alfred Wilhem Knoff e Klara Vom Muller Knoff – estudava agronomia, quando se apaixonou por uma estudante de belas artes. Com o intuito de ficar perto da sua namorada, matriculou-se nesse curso. Como era proibido estudar em mais de uma faculdade, abandonou belas artes e graduou-se em agronomia. 

No ano de 1948, Udo Knoff casou-se com a artista plástica Ivotici Becker Altmayer. Na década de 1950, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou na Cerâmica Duvivier em Jacarepaguá. Tomou gosto pela expressão artística e matriculou-se em diversos cursos oferecidos pelo Museu de Arte Moderna, onde pôde experimentar diversas linguagens artísticas. Em 1952, a convite de Carlos Eduardo da Rocha, Udo Knoff foi a Salvador para expor uma produção de óleo sobre tela na Galeria Oxumaré e encantou-se pela cidade a ponto de mudar-se definitivamente. Abriu um ateliê de cerâmica na Avenida D. João VI, em Brotas que funcionava com cinco fornos para a queima das peças. Em seguida comprou um imóvel na mesma avenida, onde residiu até o fim da vida. 

Em 1960, por indicação do Professor Mendonça Filho, foi contratado pelo Reitor Edgard Santos para lecionar cerâmica na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia. Em meados do ano de 1968, interessou-se pela azulejaria antiga das fachadas dos casarões da cidade e passou a coletar azulejos de construções em demolição. Formou, assim, um rico acervo. Iniciou pesquisa e levantamento desse material e, em 1975, foi a Lisboa, Portugal, no intuito de coletar material para finalizar a pesquisa de azulejos da Bahia, no conhecido Museu Madre de Deus, hoje Museu do Azulejo. Com esse material publicou o livro “Azulejos da Bahia” em 1986. 

O Museu Udo Knoff de Azulejaria e Cerâmica integra os espaços administrados pela Diretoria de Museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (DIMUS/IPAC), da Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA).

O museu integra os espaços administrados pela Diretoria de Museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (DIMUS/IPAC), da Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA). Visitação: terça a sexta, das 10h às 17h; sábados das 13h às 17hEntrada: grátis. Endereço:Rua Frei Vicente, nº 03, Pelourinho – Salvador (BA). Contato: (71) 3117-6389.

 

 
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