Hoje (08/03) é o dia internacional da Mulher, o Ler Agora destacou a história de duas mulheres que venceram na vida, apesar das dificuldades, faz alguns dias. Mas nessa sexta-feira, além da comemoração, um movimento contra o feminicídio tomou conta das redes sociais. Segundo dados da ONU, 12 mulheres são mortas por dia na América Latina, dos 25 países com os maiores índices de feminicídio, 14 estão nessa região, sendo que 98% dos crimes não chegam a ser julgados pela justiça.

Apesar do pouco questionamento a respeito do tema sobre a morte e violência contra mulheres, é difícil encontrar alguém que nunca tenha escutado expressão “O machismo mata”. A palavra “feminicídio” se refere ao assassinato de mulheres em função do gênero, é quando se despreza e desqualifica a posição feminina a ponto de gerar violência e morte.

O vice-chefe da ONU afirmou que “quando uma mulher ou menina morre por causa de seu gênero, isso reflete as normas sociais e atitudes que têm raízes na desigualdade e nos desequilíbrios de poder entre homens e mulheres”.

Segundo o segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas pra os Direitos Humanos (ACNUDH), o Brasil é o 5º país no ranking mundial em que mais se comete feminicídio, ficando atrás apenas de El Salvador, Colômbia, Guatemala e Rússia.

O mapa da violência elaborado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) informa que, uma mulher é assassinada a cada duas horas no Brasil. Entre os anos de 2003 a 2013, os números saltaram de 3.937 casos para 4.762 assassinatos.

Devido aos casos de violência e mortes, a lei 13.104, assinada por Dilma Rousseff, alterou o código penal brasileiro em 9 de março de 2015, tipificando feminicídio como homicídio. Por ser considerado crime hediondo a pena mínima é de 12 anos de reclusão.

De acordo com o Código Penal, artigo 121, no 2° parágrafo, itens I e II, o feminicídio se enquadra da seguinte forma: violência doméstica e familiar / Menosprezo ou discriminação à condição de mulher.

Delegacia de defesa da Mulher em São Paulo – imagem reprodução

O Ler Agora entrevistou a atriz Cristiane Machado, a qual atuou nas novelas “Duas Caras e Negócio da China”, para dar voz a uma vítima do feminicídio:

O feminicídio é algo que vem aumentando, como você se sentiu ao ser vítima?

Na minha concepção, eu acho que as mulheres estão tendo mais coragem de denunciar. Mas ainda temos um longo processo pela frente, afinal, a vítima precisa de um amparo melhor. E condutas mais eficientes para que não chegue ao feminicídio.

Comigo aconteceu com um empurrão, com pequenas imposições: roupa, amigos que não servem mais, a família você tem que ver pouco. Ele odiava meu trabalho e exigiu que não trabalhasse mais. Alegava que estávamos no início do casamento, que ele não ia aguentar, que o casamento não ia durar e aí toda vez que gravava como atriz era uma briga por ciúmes e você vai deixando, acreditando que vai passar, que vai aceitar, que vai mudar e não muda.

Sempre fui muito independente e minha carreira é minha paixão. Foi muito difícil ir cedendo, cedendo com as chantagens emocionais. Você começa a perceber que não está sendo mais você e sim, o que o outro quer que você seja. Depois veio um falar mais alto, um tapa e ainda empurrão. Eu não podia mais ter um celular que ele não tivesse a senha, mas o dele eu não procurava ver nada.

Quatro meses casada no civil e ele me agrediu a primeira vez. Acho que ele achou que eu era propriedade após o casamento.

O suposto agressor em algum momento anterior demonstrou que poderia te agredir?

Ele era um lord. Achava que tinha encontrado o amor da minha vida. Saí de um filme de amor para um de terror em questão de pouquíssimo tempo. Você não consegue processar isso na cabeça e no coração. Eu não podia dizer “não”. Ele não aceitava! Tudo tinha que ser do jeito dele. Ali você já começa a viver uma agressão psicológica, mas não percebe. Em 4 meses de casamento no civil, eu fui agredida.

“Foi devastador” completa.

E depois da denuncia, a sociedade te julgou? As leis funcionaram?

Você tem medo de denunciar. Denunciei uma pessoa influente e isso pesa ainda mais porque existe um jogo e um favorecimento que, infelizmente, não posso dizer por segredo de justiça. Mas para denunciar você precisa se encher de coragem.

Eu recebi muito carinho do público, inclusive agradecendo que as encorajei. Mas sempre tem um preconceito já entranhado na sociedade. As leis precisam ser revistas. O criminal não anda em parceria com civil. As delegacias precisam ser mais cuidadosas. Eu levei 5 horas para registrar um boletim de ocorrência.

O IML não tinha nem luva descartável para me atender e fazer corpo delito. Eu com todas as ameaças que recebi, tive que virar para me proteger porque ele quebrou diversas medidas protetivas e até hoje venho recebendo ameaças da cadeia.

A pessoa do porte dele estar presa não impede não. A sociedade precisa pedir sim e clamar para que tudo seja fiscalizado. O que seria de mim sem as imagens? Acreditem, ele registrou um boletim de ocorrência 5 dias depois e fui indiciada por lesão nele. E se eu não tivesse as imagens? A mulher precisa de coragem para enfrentar. Sem falar nas represálias que ainda sofro, filho dele me vigiando, olheiros e outros.

O que houve com o suposto agressor?

Ele está com prisão preventiva e a cada pedido de habeas corpus minhas pernas tremem. Emagreci 8 kilos até agora. Como a prisão é preventiva, não tem um prazo estabelecido. Ainda não foi marcada audiência. Eu vivo com medo sim. Por que quem vai me defender ? Solicitamos escolta policial e o Estado não tem. Só tenho minha coragem e vontade de justiça.

Ele foi condenado ou ainda é tratado como suspeito?

Ele ainda é tratado como suposto agressor. Eu quero justiça e espero que seja feita. Acompanho meus processos integralmente no fórum e com minha advogada Dra Regina Manssur. As pessoas com dinheiro acham que podem tudo e que estão acima do bem e do mal.

FEMINICÍDIO NAS REDES SOCIAIS

A Maisa, apresentadora do SBT, publicou, “Tá chegando o dia das mulheres (sim, aquele dia em que os caras que assumem que dão bebida para ter relação com a mina bêbada falam que a gente deve amar e cuidar de todas as mulheres)”(sic), afirmou em tom crítico.

Já o perfil “Filha de ares” abordou o passado, “Hoje é para relembrar todas as mulheres que foram queimadas, acusadas de bruxaria e vistas como histéricas simplesmente por exigirem respeito e os direitos que deveriam ser de todos”, confira o tuíte:

Por outro lado, João Doria, prefeito de São Paulo, compartilhou um vídeo, o qual enaltece e evidência as conquistas trabalhistas das mulheres que atuam no governo ou possuem cargos em serviços públicos, “Compartilho um pequena homenagem para as servidoras que trabalham no governo de São Paulo”, confira:

O presidente da república falou sobre a representatividade da mulher e publicou um vídeo da Ministra da mulher, Damares Alves:

Ontem (07), pelo twitter, Damares Alves informou que assinará um acordo de cooperação com o Ministro Sérgio Moro, no que tange a violência doméstica contra a mulher.

(Matéria em atualização).

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