O Carnaval de Salvador é divulgado, oficialmente, pelo prefeito ACM Neto como “O carnaval da paz, da pipoca…do orgulho de ser soteropolitano, do respeito, da democracia e alegria”. Os fatos que se sucedem mostram uma outra realidade escondida pela propaganda governamental.

Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP), a delegacia digital registrou até o dia 4 de março, aproximadamente 1400 queixas de furto, perda ou extravio de objetos e documentos no carnaval.

Durante a festa foram registradas 257 queixas relativas a documentos perdidos. Por outro lado, a quantidade de acidentes no trânsito, caiu 50% em relação ao mesmo período do ano anterior, foram contabilizados 72 ocorrências em 2019, de acordo com informações divulgadas pela Secom.

Conforme matéria publicada pelo Bahia Notícias, a Secretaria de Políticas para Mulheres (SPM), registrou 6 casos de estupro e duas tentativas de feminicídio durante o carnaval, na primeira capital do Brasil.

Agora, outro fato contrapõe o brilhantismo exposto pelo governo municipal e estadual. Em vídeo gravado na cidade Salvador, moradora da região da Barra, de forma anônima, denunciou no dia (07/03), que supostamente o trio elétrico Dodô e Osmar, despeja no mar o esgoto acumulado no veículo, depois do Carnaval de Salvador.

Segundo a denunciante, “Isso sempre ocorre depois dos carnavais em Salvador”. “vários trios fazem isso”, dando a entender que o despejo é prática habitual de todos os trios elétricos ao longo dos anos.

 

É possível ver, ao observar placa, o nome “Salvador” e o novo logotipo da cidade, esse fator comprova que o vídeo é novo e atual, mas, num olhar atencioso, o trio não parece estar conectado ao bueiro.

O Ler Agora entrevistou o advogado criminalista, formado em direito penal pela USP, Matheus Falivene, segundo ele, “O crime seria poluição, mas não está saindo do trio”. “O art. 54 da Lei dos Crimes Ambientais dispõe sobre o crime de poluição. Porém, para que ele se configure, é necessário que haja risco à saúde humana ou a mortandade de animais ou a destruição da flora. Nessa hipótese, há de se procurar os órgãos ambientais responsáveis pela fiscalização e, também, a Promotoria do Meio Ambiente, do Ministério Público. Porém, observando o vídeo, esse não parecer ser o caso”, completou.

A assessoria de Dodô e Osmar, donos do trio que aparece no vídeo acima, enviou uma nota de esclarecimento ao Ler Agora, confira na íntegra:

A respeito do vídeo postado nas redes sociais onde aparece o nosso trio e um volume de água escura desaguando no mar, vimos esclarecer:

1) Nosso caminhão não está em descarte nesta oportunidade. Os técnicos da Prefeitura (de branco) e Embasa (de azul) verificaram que esta boca estava entupida e encaminharam o veículo para o próximo bueiro de descarte. Portanto não há nenhuma atividade nesta oportunidade e nem ligação direta entre os fatos.

2) O descarte é obrigatório para todos os trios elétricos, rigorosa e criteriosamente fiscalizado pela Vigilância Sanitária, e é realizado diretamente na rede de saneamento e não para a praia como sugere o vídeo.

3) Segundo a Embasa, em explicação de ocorrências anteriores, quando há chuva forte, galerias de águas pluviais lançam seus efluentes na praia conduzindo a água da chuva junto com lixo, detritos e outros resíduos das ruas.

4) A organização do nosso carnaval é uma das melhores do Brasil e referência de estudos para outros estados e países, e todos os veículos são vistoriados para poderem participar da festa.

5) O vídeo presta um serviço para o interesse e consequente ampliação do conhecimento sobre o assunto, debates e soluções sobre o desaguar das águas de rio, mas associa erroneamente os fatos ao nosso Carnaval.

Agradecemos a oportunidade de esclarecer estas imagens e reverenciamos o público local, nacional e internacional, que veio viver a experiência de ir atrás dos nossos trios elétricos, esta invenção genuinamente baiana que no próximo Carnaval completa 70 anos

Salve Dodô e Osmar!

Atenciosamente,

OS IRMÃOS MACÊDO.

Vale ressaltar que, a dupla Dodô e Osmar é responsável pela criação do Trio Elétrico, reconhecidamente o diferencial do carnaval soteropolitano, mas ao contrário do que a denuncia dá a entender pela proximidade do veículo com a tubulação, não está envolvida no despejo de dejetos no mar.

Já as secretarias municipais de desenvolvimento e urbanismo informaram o seguinte:

As secretarias municipais de Desenvolvimento e Urbanismo (Sedur) e de Manutenção (Seman) enviaram técnicos para averiguar que tipo de material escorreu na praia do Farol da Barra (06) pela rede pluvial da Prefeitura. Ficou constatado que, ao contrário do divulgado nas redes sociais e de episódios anteriores, não foi detectado esgoto, mas sim sujeira “carregada” pela água da chuva.

Se fosse novamente constatado que se tratava de esgoto, e não apenas de água da chuva, a Embasa seria mais uma vez acionada pelo município, via Sedur. A Prefeitura esclarece ainda que o fato não tem relação com o despejo de material de trio elétrico, que foi feito ao longo de todo o Carnaval neste e em outros pontos do circuito, sem o registro de incidentes e de forma autorizada. Até porque nenhum trio despeja a quantidade volumosa de material que aparece no vídeo que circula pela internet.

Vale frisar que costuma ocorrer neste ponto o uso indevido da rede de drenagem para lançamento de esgotos domésticos. Quando chove na bacia da Barra, como ontem, costuma ocorrer que o desvio dos esgotos domiciliares na rede de drenagem não suporta as vazões maiores decorrentes da intensidades pluviométrica. Daí as águas pluviais se misturam com esgoto e vão para o mar ou para os canais (rios). Mas isso não aconteceu ontem.

Na nota, a prefeitura não informa do que é formada a sujeira, apesar de ter enviado técnicos para avaliar o local e o material que aparece no vídeo. Se a rede de drenagem não suporta a intensidade significa que é ineficiente, não foi dito pela prefeitura se ou quais ações serão tomadas para impedir o “uso indevido” da tubulação e para que novos casos como esse aconteçam.

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