Na ótica do The Intercept Brasil, toda a investigação teve cunho político e anti-PT

O jornal The Intercept Brasil obteve acesso a conversas sigilosas da Força Tarefa da Lava Jato, que supostamente põe em cheque a imparcialidade investigativa dos procuradores e demais envolvidos, e os reais objetivos da operação.

De acordo com os documentos obtidos, os procuradores da lava jato guiaram as investigações com o intuito de diminuir as chances de vitória do Partido dos Trabalhadores (PT) em 2018, incluindo o enfraquecimento para o impeachment de Dilma Rousseff em 2016, com os áudios vazados de sua conversa com o ex-presidente Lula.

De acordo com o jornal, apesar do procurador Deltan Dallagnol dizer não ter motivações partidárias, os diálogos vazados mostram que ele atuou para minar a candidatura do PT. Um dos temas centrais da suposta trama é o impedimento da entrevista de Lula antes do fim das eleições em 2018.

Num dos trechos das conversas entre diversos procuradores, a procuradora Laura Tessler disse, “sei lá, mas uma coletiva antes do segundo turno pode eleger o Haddad”.

De acordo com o The Intercept Brasil, “não se trata de confissão isolada. Toda a discussão, que se estendeu por várias horas, parece mais uma reunião entre estrategistas e operadores anti-PT do que uma conversa entre procuradores supostamente imparciais”.

Nas conversas, o procurador Athayde Costa diz que concessão de uma entrevista à Lula teria caráter eleitoreiro em prol do PT. Então o objetivo foi postergar a realização da entrevista para depois das eleições.

Os documentos revelam que os procuradores Athayde Costa e Laura Tessler criticaram, no grupo do telegram, a decisão da Procuradora Geral da República, Raquel Dodge, de não interferir na realização da entrevista de Lula.

“Ela [Dodge] está pensando na indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF), caso Haddad ganhe”, escreveu Costa.

E então Tessler respondeu, “que palhaçada, adora jogar para a plateia, quer ganhar o apoio da imprensa ao nome dela”.

Acesse a reportagem investigativa completa aqui.

O Ler Agora buscou, mas até a publicação desta matéria, nenhum dos nomes supracitados esclareceu, soltou nota ou forneceu explicações e esclarecimentos sobre o conteúdo da reportagem do The Intercept Brasil.

Atualização (21h59):

Deltan Dallagnol se pronunciou no Twitter sobre os supostos ataques à Lava Jato, “A atuação sórdida daqueles que vierem a se aproveitar da ação do “hacker” para deturpar fatos, apresentar fatos retirados de contexto e falsificar integral ou parcialmente informações atende interesses inconfessáveis de criminosos atingidos pela Lava Jato”.

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