De acordo com o site O Antagonista, a Polícia Federal (PF), comandada pelo ministro da Justiça, Sérgio Moro, pediu ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) um relatório sobre os dados bancários de Glenn Greenwald. A requisição vem após o site Intercept, fundado por Greenwald, ter publicado matérias sobre supostas conversas que comprometem a atuação do ex-juiz Moro na Operação Lava Jato.

O líder do PSOL na Câmara, Ivan Valente, protocolou um requerimento no qual pede que Moro esclareça o assunto. Durante audiência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, ontem (2), o ministro se esquivou de perguntas sobre o tema, disse que não acompanha investigações da PF, mas não negou a abertura do inquérito.

Em rede social, Greenwald declarou que “segundo um site de direita, frequentemente citado por Sérgio Moro e usado por promotores corruptos por vazamentos, a Polícia Federal – que Moro controla – solicitou formalmente uma investigação sobre minhas contas bancárias. Eles não estão nem escondendo seu abuso de poder ao retaliar jornalistas”.

E completou:

“A ironia é óbvia: o movimento de Bolsonaro passou anos alegando que o partido dos trabalhadores era uma tirania que atacou uma imprensa livre. Nunca o fez. Mas isso é o que Bolsonaro & moro estão fazendo agora: usando a polícia federal que eles controlam para me investigar em retaliação por minha reportagem”.

A Freedom of The Press Foundation (Fundação Liberdade de Imprensa), dos Estados Unidos, solicitou ao governo brasileiro que interrompa as investigações contra Greenwald “imediatamente”.

Confira a nota emitida por Trevor Timm, diretor executivo da fundação:

“Investigar criminalmente o jornalista Glenn Greenwald por relatar sobre a corrupção dentro do governo de Bolsonaro é uma violação chocante de seus direitos como jornalista. Pior, a mesma pessoa que é o principal assunto da reportagem do Intercept — o Ministro da justiça Sergio Moro — também teria autoridade definitiva sobre qualquer investigação da polícia federal. Não é apenas um ataque escandaloso contra a liberdade de imprensa, mas um abuso de poder bruto. Os jornalistas não devem ter que se preocupar com assédio, ameaças de morte, ou enfrentar investigações governamentais para relatar a verdade sobre indivíduos poderosos. A Fundação insta o governo brasileiro a deter imediatamente suas táticas de intimidação e concentrar-se em investigar aqueles que o merecem: os sujeitos denunciados pela reportagem do Intercept do Brasil.

Nenhum Parlamentar da direita se pronunciou sobre o assunto.

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